Óleo Essencial de Tea Tree: Benefícios, Usos e Cuidados

O tea tree é um dos óleos essenciais mais usados na aromaterapia e também um dos mais mal usados. Conto-te para que serve, como o uso na pele e em difusão, uma receita simples de roll-on e todos os cuidados a ter, incluindo a oxidação e os animais em casa.

By Liliana Santos
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Óleo Essencial de Tea Tree: Benefícios, Usos e Cuidados

Há óleos essenciais que ganham fama depressa e depois desaparecem da prateleira. O tea tree não é um deles. Está cá há décadas, continua a ser dos primeiros que recomendo a quem começa, e é daqueles frascos que tenho sempre à mão, quer em casa quer no atelier.

Se calhar já ouviste falar dele como "aquele óleo das borbulhas". É verdade, mas fica muito aquém do que ele consegue fazer. Vou contar-te como o uso, o que a aromaterapia lhe reconhece e, sobretudo, os cuidados que fazem toda a diferença para ele te correr bem.

O que é o óleo essencial de tea tree

O tea tree, ou árvore do chá, tem o nome botânico Melaleuca alternifolia. É uma árvore australiana de folhas finas e aroma penetrante, e o óleo essencial extrai-se por destilação a vapor das folhas e ramos.

O aroma não é consensual, e eu percebo perfeitamente. É fresco, herbáceo, com um lado medicinal e ligeiramente canforáceo que divide opiniões. Há quem adore à primeira, há quem precise de o encontrar em mistura para o apreciar. Se pertences ao segundo grupo, fica descansada, mais à frente mostro-te como suavizá-lo.

O que o torna especial é a composição. O tea tree é rico em terpinen-4-ol, o componente que a investigação mais associa às suas propriedades purificantes, e um bom óleo deve ter também um teor baixo de 1,8-cineol para ser mais suave na pele. Por isso é que a origem e o boletim de análise importam tanto.

Os benefícios que mais me fazem voltar a ele

Cuidado com a pele que precisa de purificação. É o uso mais conhecido e por boas razões. Aplicado sempre diluído, o tea tree é um aliado nas peles mistas e oleosas, nas zonas com tendência a imperfeições e naquele ponto pontual que aparece sempre no pior dia possível.

Ar mais limpo em casa. Em difusão, o tea tree ajuda a purificar o ambiente. Uso-o muito nos dias em que a casa esteve fechada, quando alguém cá em casa está constipado, ou depois de arejar um quarto que ficou abafado.

Apoio nos meses mais difíceis. Entre o outono e o inverno, o tea tree entra na minha rotina de difusão em conjunto com o eucalipto e o limão. É uma combinação simples que dá aquela sensação de casa fresca e cuidada.

Cuidado com o couro cabeludo. Umas gotas diluídas num champô neutro ajudam quando o couro cabeludo anda mais sensível ou com tendência a caspa. É um clássico e funciona.

Limpeza natural. Uso-o também nas minhas misturas de limpeza, sobretudo na casa de banho e nas superfícies da cozinha. Junto com o limão, faz uma dupla que gosto muito.

Como uso o tea tree no dia a dia

Na pele, sempre diluído. A minha regra é 1 a 2% para aplicações em áreas maiores, e até 3% para toques pontuais e localizados. Traduzindo em gotas: 1% são cerca de 2 gotas em 10 ml de óleo vegetal. Jojoba, avelã e macadâmia funcionam muito bem para peles mistas.

No difusor. 3 a 4 gotas de tea tree com 2 gotas de limão ou de lavanda, em ciclos de 20 a 30 minutos. Nunca deixo o difusor a trabalhar horas seguidas, e desligo-o quando saio de casa. Se quiseres explorar mais combinações, tenho uma seleção de óleos para difusor pensada precisamente para isso.

Em roll-on. É o formato mais prático para levar na mala e para aplicar sem desperdício. Se preferes já pronto a usar, vê a coleção de roll-ons.

No champô. 2 a 3 gotas num doseador de champô neutro, misturado bem antes de aplicar. Não deitas as gotas no frasco todo, porque vão separar-se.

Receita simples: roll-on de retoque para imperfeições

Esta é a que faço mais vezes. Demora dois minutos e dura semanas.

Vais precisar de:

  • 1 frasco roll-on de vidro escuro de 10 ml
  • 10 ml de óleo vegetal de jojoba
  • 3 gotas de óleo essencial de tea tree
  • 2 gotas de óleo essencial de lavanda verdadeira

Como fazer: deita primeiro os óleos essenciais no frasco vazio, junta a jojoba até quase ao topo, fecha e roda entre as mãos durante uns segundos para misturar. Etiqueta com o nome e a data.

Como usar: aplica com toques suaves só na zona a cuidar, uma a duas vezes por dia, sobre pele limpa. Antes da primeira utilização, faz um teste na dobra do braço e espera 24 horas. Guarda ao abrigo da luz e usa dentro de três meses.

A lavanda entra aqui por duas razões. Suaviza o aroma medicinal do tea tree e traz o seu próprio lado calmante para a pele. Se ainda não conheces bem este óleo, escrevi sobre ele em detalhe no artigo do óleo essencial de lavanda.

Cuidados a ter com o tea tree

Este é o capítulo que mais gosto de escrever, porque é o que faz a diferença entre usar bem e usar mal.

Nunca puro na pele. Vais encontrar por aí quem diga que o tea tree se pode aplicar puro. Eu não recomendo. A aplicação repetida sem diluição é uma das causas mais frequentes de sensibilização, e uma vez sensibilizada, a pele passa a reagir mesmo em concentrações baixas. Dilui sempre.

Atenção à oxidação. O tea tree oxida com facilidade quando exposto ao ar, à luz e ao calor. E é sobretudo o óleo oxidado que causa reações cutâneas. Guarda-o em vidro escuro, bem fechado, longe da janela e do fogão. Depois de aberto, o ideal é usá-lo dentro de seis meses a um ano. Se o aroma mudou e ficou mais acre, está na hora de o reformar para tarefas de limpeza e comprar frasco novo.

Faz sempre teste de sensibilidade. Uma gota da mistura já diluída na dobra do braço, 24 horas de espera. Vale a pena mesmo quando já usas o óleo há anos.

Gravidez e amamentação. Evita usar por tua conta e fala primeiro com um profissional que acompanhe o teu caso.

Crianças. Não uso tea tree em crianças com menos de 3 anos. A partir daí, sempre em diluições muito baixas e nunca na zona do rosto.

Animais de companhia. Este ponto é importante e passa despercebido a muita gente. Os gatos são particularmente sensíveis ao tea tree e nunca se deve aplicar na pele deles nem difundir num espaço fechado onde não possam sair. Se tens gato em casa, difunde sempre com a porta aberta e por períodos curtos.

Só difusão e aplicação diluída na pele. É assim que trabalho os óleos essenciais aqui na Casa d'Aromaterapia. Não recomendo outras vias de utilização.

Como escolher e guardar

Procura sempre o nome botânico completo no rótulo, Melaleuca alternifolia, porque existem outras melaleucas com perfis muito diferentes. Confirma que é 100% puro e natural, de preferência biológico, e que a marca disponibiliza o boletim de análise com os teores de terpinen-4-ol e de 1,8-cineol.

O frasco deve ser de vidro âmbar ou azul, com conta-gotas integrado. Guarda-o em pé, num armário fresco e escuro, e volta a fechar bem logo a seguir a usar.

Na loja tenho o óleo essencial de tea tree biológico em três tamanhos, e podes ver toda a gama na coleção de óleos essenciais.

Para levares daqui

O tea tree é um óleo de trabalho, não é um óleo de perfume. É o que puxo quando quero purificar, cuidar de uma zona da pele que precisa de atenção ou refrescar o ar de uma divisão. Diluído, bem guardado e usado com bom senso, é dos óleos essenciais que mais rendem no dia a dia.

Se quiseres continuar por aqui, o óleo essencial de eucalipto é o companheiro natural dele nos meses mais frios.

Conta-me depois como correu a tua mistura. Gosto sempre de saber.