Óleo Essencial de Ravintsara: Benefícios, Usos e Cuidados
Setembro chega sempre com a mesma sensação cá em casa. As manhãs ficam mais frescas, as janelas passam menos tempo abertas, a escola recomeça e, poucas semanas depois, aparece a primeira constipação. É por isso que, todos os anos, o frasco de ravintsara volta para a linha da frente do meu armário.
Se ainda não o conheces, deixa-me apresentar-te como deve ser. É um óleo essencial discreto, sem grande fama nas redes sociais, mas dos mais úteis e dos mais bem tolerados que tenho. E é também um dos que gera mais confusão no rótulo, o que vale bem uma conversa.
O que é o óleo essencial de ravintsara
O ravintsara tem o nome botânico Cinnamomum camphora quimiotipo cineol, e vem de Madagáscar. A árvore é originária da Ásia, mas ao ser plantada em solo malgaxe passou a produzir um óleo com uma composição completamente diferente da do seu parente asiático. O nome vem do malgaxe e significa, mais ou menos, folha boa. Sempre achei que lhe assenta bem.
O óleo essencial extrai-se por destilação a vapor das folhas. O aroma é fresco, limpo, ligeiramente canforáceo e com um fundo doce que o torna muito mais fácil de gostar do que o eucalipto. Toda a gente cá em casa o aceita bem, e isso conta.
A composição é o que o distingue. É rico em 1,8-cineol, normalmente acima de metade do óleo, acompanhado de sabineno e alfa-terpineol. É exatamente esta combinação que lhe dá o lado respiratório e, ao mesmo tempo, uma suavidade que outros óleos ricos em cineol não têm.
Ravintsara não é ravensara (e a diferença importa)
Esta é a confusão mais frequente que me chega, e vale a pena ser muito clara. O ravintsara é Cinnamomum camphora qt. cineol. O ravensara é Ravensara aromatica, uma planta diferente, com um perfil químico diferente e usos diferentes.
Durante anos houve rótulos trocados no mercado, e ainda hoje aparecem. Por isso, a regra é simples: não olhes para o nome comercial, olha para o nome botânico. Se o rótulo não o traz completo, com o quimiotipo, não compres. Isto aplica-se a qualquer óleo essencial, mas neste caso ainda mais.
Os benefícios que mais me fazem voltar a ele
Apoio respiratório no outono e inverno. É o uso número um. Em difusão, o ravintsara traz aquela sensação de ar aberto que dá jeito quando alguém em casa está com o nariz entupido ou a garganta a pedir atenção.
Apoio ao sistema imunitário nas mudanças de estação. Setembro e outubro são os meses em que o uso mais. Faço difusões curtas ao fim da tarde, sobretudo na semana em que a rotina muda e o corpo se ressente.
Suavidade que permite usar em mais gente. Comparado com o eucalipto globulus ou com a hortelã-pimenta, o ravintsara é bastante mais tolerante. Continua a ter cuidados, e já lá vou, mas é o que escolho quando quero algo eficaz sem ser agressivo.
Clareza mental sem excitação. Tem um efeito curioso. Desanuvia a cabeça sem ser estimulante como os cítricos ou o alecrim. Uso-o de manhã em dias em que preciso de estar desperta mas calma.
Uma boa base de mistura. Combina com quase tudo. Com o limão fica fresco e luminoso, com a lavanda fica reconfortante, com o eucalipto fica claramente respiratório. É um óleo generoso nas sinergias.
Como uso o ravintsara no dia a dia
No difusor. 4 gotas de ravintsara com 2 gotas de limão, em ciclos de 20 a 30 minutos, uma a duas vezes por dia. Nunca deixo o difusor ligado horas seguidas nem com a divisão fechada. Se quiseres explorar outras combinações para esta altura do ano, tenho uma seleção de óleos para difusor pensada para isso.
Na pele, sempre diluído. Trabalho entre 2 e 3% para adultos, aplicado no peito, nas costas e ao longo da coluna. Em gotas, 2% são cerca de 4 gotas em 10 ml de óleo vegetal. Uso jojoba ou amêndoa doce, que são fáceis de espalhar e não deixam a pele pesada.
Em roll-on. É o formato que mais me convence para levar na mala e aplicar nos pulsos ao longo do dia. Se preferes algo já pronto a usar, vê a coleção de roll-ons.
Numa taça de água quente. Duas gotas numa taça de água a fumegar, pousada no quarto com a porta entreaberta. É uma difusão passiva suave, sem aparelho, que gosto de usar à noite.
Receita simples: roll-on de peito para o regresso à rotina
Esta é a que preparo sempre no primeiro fim de semana de setembro. Leva dois minutos e acompanha-me até dezembro.
Vais precisar de:
- 1 frasco roll-on de vidro escuro de 10 ml
- 10 ml de óleo vegetal de jojoba
- 4 gotas de óleo essencial de ravintsara
- 2 gotas de óleo essencial de lavanda verdadeira
Como fazer: deita primeiro os óleos essenciais no frasco vazio, junta a jojoba até quase ao topo, fecha e roda entre as mãos durante uns segundos. Etiqueta com o nome e a data, porque daqui a dois meses já não te lembras.
Como usar: aplica no peito e nos pulsos, uma a duas vezes por dia, sobre pele limpa. Antes da primeira utilização, faz um teste na dobra do braço e espera 24 horas. Guarda ao abrigo da luz e usa dentro de três meses.
A lavanda entra aqui para arredondar o aroma e trazer o seu lado calmante, que combina bem com a hora de deitar. Se quiseres conhecê-la melhor, escrevi sobre ela no artigo do óleo essencial de lavanda.
Cuidados a ter com o ravintsara
Ser suave não é o mesmo que ser isento de cuidados. Estes são os que faço questão de repetir sempre.
Nunca puro na pele. Dilui sempre em óleo vegetal, mesmo tratando-se de um óleo bem tolerado. A aplicação repetida sem diluição é a via mais rápida para uma sensibilização, e uma vez sensibilizada, a pele passa a reagir mesmo em concentrações baixas.
Crianças pequenas, atenção redobrada. Este é o ponto mais importante. Os óleos essenciais ricos em 1,8-cineol, como este, não devem ser aplicados na zona do rosto, do nariz ou do peito em crianças pequenas, pelo risco de reação respiratória. Em casa, não uso ravintsara em crianças com menos de 3 anos, e a partir daí só em diluições muito baixas e longe da cara.
Asma e vias respiratórias sensíveis. Se tens asma ou tendência a broncospasmo, os óleos ricos em cineol podem ser irritantes para ti. Começa por difusões muito curtas, com a divisão arejada, e interrompe se sentires desconforto. Na dúvida, fala com quem te acompanha.
Gravidez e amamentação. Evita usar por tua conta e procura primeiro a opinião de um profissional que conheça o teu caso.
Epilepsia. Há cautela recomendada com óleos canforáceos em pessoas com epilepsia. É outra situação em que prefiro que fales com um profissional antes de avançar.
Difusão com bom senso. Ciclos curtos, divisão arejada e nunca com o difusor ligado à noite inteira num quarto fechado. Se tens animais em casa, difunde sempre com a porta aberta para que possam sair.
Faz sempre teste de sensibilidade. Uma gota da mistura já diluída na dobra do braço e 24 horas de espera. Vale a pena mesmo quando já usas o óleo há anos.
Só difusão e aplicação diluída na pele. É assim que trabalho os óleos essenciais aqui na Casa d'Aromaterapia. Não recomendo outras vias de utilização.
Como escolher e guardar
Confirma no rótulo o nome botânico completo com o quimiotipo, Cinnamomum camphora qt. cineol, e a origem em Madagáscar. Procura que seja 100% puro e natural, de preferência biológico, e que a marca disponibilize o boletim de análise. É aí que confirmas o teor de 1,8-cineol.
O frasco deve ser de vidro âmbar ou azul, com conta-gotas integrado. Guarda-o em pé, num armário fresco e escuro, longe do fogão e da janela, e fecha bem logo a seguir a usar. Bem guardado, dura entre dois e três anos.
Na loja tenho o óleo essencial de ravintsara biológico em 10 ml e 30 ml, e podes ver a gama completa na coleção de óleos essenciais. Para esta altura do ano, dá também uma vista de olhos na seleção de óleos essenciais para o sistema imunitário.
Para levares daqui
O ravintsara é o óleo essencial que eu tiraria do armário se só pudesse escolher um para atravessar o outono. Não é espetacular, não tem um aroma que impressione visitas, mas é fiável, é suave e resolve. Diluído, bem guardado e usado com bom senso, faz um trabalho silencioso que se nota ao fim de algumas semanas.
Se quiseres continuar por aqui, o óleo essencial de eucalipto e o óleo essencial de tea tree são os companheiros naturais dele nos meses frios.
Conta-me depois como correu o teu roll-on. Gosto sempre de saber.